Especialista da Santa Casa de São José dos Campos ressalta a importância da prevenção e diagnóstico precoce
O Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, reforça a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade causada pela doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), tumores identificados nas fases iniciais podem alcançar índices de cura de até 90%, evidenciando a importância de reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes.
A conscientização é ainda mais necessária diante do avanço da doença no país. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano durante o triênio 2026-2028. Excluindo os tumores de pele não melanoma, são aproximadamente 518 mil novos diagnósticos anuais. Entre os tipos que acometem a região da cabeça e do pescoço, destacam-se o câncer da cavidade oral, com estimativa de 17.190 novos casos por ano, o câncer de laringe, com 8.510 diagnósticos anuais, e o câncer de tireoide, que deve registrar 16.450 novos casos por ano.
O câncer de tireoide merece atenção especial por já ocupar a quinta posição entre os tipos de câncer mais frequentes nas mulheres brasileiras, segundo o INCA. Embora nem todos os casos possam ser evitados, a identificação precoce aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento. Uma medida simples é a realização do autoexame em frente ao espelho, observando a região do pescoço durante a deglutição. Caso seja percebido algum nódulo, aumento de volume ou assimetria, é importante procurar avaliação médica para investigação.
O Dr. Maurílio Chagas, responsável pelo Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de São José dos Campos, explica que o principal desafio ainda é fazer com que a população reconheça os sintomas e busque ajuda médica logo no início da doença. “Muitas pessoas acabam ignorando sintomas que persistem por semanas, como rouquidão, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir ou um caroço no pescoço. Esses sinais nunca devem ser considerados normais e precisam ser avaliados por um especialista. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamento e cura”, diz.
Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço estão o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Entretanto, o perfil da doença vem passando por mudanças. Dados do INCA mostram que a maioria dos pacientes ainda é composta por homens com cerca de 60 anos de idade, mas especialistas têm observado um crescimento dos casos de câncer de orofaringe relacionado à infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano), principalmente entre adultos mais jovens e sem os fatores de risco tradicionalmente associados à doença.
“Durante muito tempo, esses tumores estiveram fortemente relacionados ao tabagismo e ao consumo de álcool. Hoje, observamos um aumento dos casos de câncer de orofaringe associado ao HPV, inclusive em pacientes mais jovens e sem esses fatores de risco tradicionais. Isso reforça a importância da vacinação contra o HPV, da prevenção e da avaliação médica diante de qualquer sintoma persistente, independentemente da idade”, ressalta o Dr. Maurílio.
Além da vacinação contra o HPV, o especialista destaca que mudanças no estilo de vida desempenham um papel importante na prevenção.
“Parar de fumar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma boa higiene bucal, utilizar protetor solar nos lábios e realizar consultas médicas periódicas são medidas que contribuem para reduzir o risco da doença. O Julho Verde é uma oportunidade para conscientizar a população de que informação e diagnóstico precoce salvam vidas. Conhecer os sinais de alerta e procurar atendimento sem demora pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento”, conclui.
Crédito da foto: Magnific/Divulgação.
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