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Vacinação infantil segue abaixo do ideal e acende alerta para novas epidemias

 Com cobertura longe dos 95%, pediatra da Santa Casa de São José dos Campos reforça riscos à saúde pública

Mesmo com avanços recentes na recuperação da cobertura vacinal, o Brasil ainda enfrenta um desafio importante, garantir que crianças completem todo o calendário de imunização. 
 

O cenário preocupa especialistas porque compromete a proteção coletiva e aumenta o risco de reintrodução de doenças que já estavam controladas no país. Entre os dias 24 e 30 de abril, a Semana Mundial da Imunização reforça justamente a importância das vacinas para prevenir surtos e salvar vidas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os imunizantes evitaram ao menos 154 milhões de mortes nos últimos 50 anos em todo o mundo, o equivalente a seis vidas por minuto.
 

No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal segue alta nas primeiras doses aplicadas ainda na maternidade. Em 2025, a BCG atingiu 98,55% e a vacina contra hepatite B chegou a 98,76%, superando a meta nacional.
 

Com o passar dos meses, porém, os índices começam a cair. Entre as vacinas indicadas antes de 1 ano de idade, a cobertura contra poliomielite ficou em 87,68% em 2025, enquanto a pentavalente alcançou 88,12%. Já a vacina contra febre amarela registrou uma das menores taxas do calendário infantil: 73,82%.
 

O mesmo padrão foi observado em 2024. A poliomielite ficou em 90,54%, a pentavalente em 90,35% e a febre amarela em 73,54%, todos índices abaixo da meta de 95% preconizada para a maioria dos imunizantes infantis.

A queda se torna ainda mais evidente após o primeiro ano de vida, fase em que entram as doses de reforço. Em 2025, a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou 92,66% na primeira dose, mas caiu para 78,02% na segunda. O reforço contra poliomielite ficou em 85,42%, e o de difteria, tétano e coqueluche, em 86,85%.
 

Em 2024, a primeira dose da tríplice viral chegou a 95,84%, mas a segunda caiu para 80,53%. Já os reforços da poliomielite e da DTP ficaram em 88,06% e 89,07%, respectivamente.
 

Para o pediatra Lucas Fadel, da Santa Casa de São José dos Campos, a redução nas coberturas vacinais preocupa porque enfraquece a proteção coletiva. “Quando a cobertura vacinal cai, a circulação de vírus e bactérias volta a ser possível. Isso abre espaço para doenças que estavam controladas, como sarampo e até a poliomielite”, explica.
 

O especialista destaca que muitos pais vacinam os filhos nos primeiros meses, mas deixam de retornar para completar o esquema recomendado.
 

“As doses de reforço são fundamentais para consolidar a imunidade. Sem elas, a proteção pode ficar incompleta. Manter a caderneta em dia é uma das formas mais eficazes de prevenir internações e complicações graves”, afirma.
 

Apesar dos desafios, o país mostra sinais de recuperação após anos de queda, especialmente no período pós-pandemia. Ainda assim, é preciso avançar para retomar coberturas homogêneas em todo o território nacional.


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