Infectologista da Santa Casa de São José dos Campos alerta que vacinação, testagem e tratamento precoce são fundamentais para evitar complicações graves
Silenciosas e, muitas vezes, sem apresentar sintomas por anos, as hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública. A campanha Julho Amarelo busca ampliar a conscientização da população sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento dessas infecções, que podem evoluir para quadros graves, como cirrose e câncer de fígado, quando não identificadas e tratadas a tempo.
A dimensão do problema é mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes por ano em todo o planeta, índice semelhante ao registrado por doenças como a tuberculose. O cenário reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, à vacinação e aos exames de diagnóstico, permitindo que mais pessoas descubram a doença ainda nas fases iniciais.
Entre os diferentes tipos de hepatites virais, a hepatite B merece atenção especial por estar entre as principais causas de cirrose hepática no mundo. Segundo a infectologista da Santa Casa de São José dos Campos, Dra. Natália Reis, a infecção
é transmitida pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de agulhas, seringas e objetos perfurocortantes, como alicates de unha e lâminas de barbear, além da transmissão vertical, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
“A principal forma de prevenção contra a hepatite B continua sendo a vacinação, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O uso de preservativos, a não utilização compartilhada de objetos que possam ter contato com sangue e a realização de procedimentos apenas em locais que sigam normas de biossegurança também são medidas importantes para reduzir o risco de transmissão”, explica a médica.
No Brasil, os impactos da doença também chamam atenção. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2000 e 2022, a hepatite B foi responsável por 21,7% das mortes relacionadas às hepatites virais no país. Já a hepatite C respondeu por 75,9% dos óbitos registrados no mesmo período, tornando-se a principal causa de morte entre as hepatites virais.
Embora ainda não exista vacina para prevenir a hepatite C, os avanços da medicina mudaram significativamente o prognóstico dos pacientes. Atualmente, os antivirais de ação direta oferecem taxas de cura superiores a 95%, permitindo eliminar o vírus na maioria dos casos quando o tratamento é iniciado adequadamente.
Segundo a infectologista, um dos maiores desafios é justamente o comportamento silencioso da doença. “A maioria das pessoas infectadas pode permanecer anos sem apresentar sintomas. Quando os sinais aparecem, muitas vezes já existe um comprometimento importante do fígado. Por isso, é fundamental que pessoas com fatores de risco realizem os testes e mantenham a vacinação contra a hepatite B em dia. Hoje também contamos com tratamentos altamente eficazes para a hepatite C, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante”, destaca.
A especialista ressalta que a população deve procurar uma unidade de saúde sempre que houver suspeita de exposição ao vírus ou quando fizer parte dos grupos mais vulneráveis, como pessoas que receberam transfusão de sangue antes da implantação dos testes de triagem, usuários de drogas injetáveis, profissionais da saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais e gestantes. “A testagem é gratuita
pelo SUS e pode ser realizada por meio de exames rápidos, permitindo o início precoce do acompanhamento e do tratamento, quando necessário”, diz.
Sobre a Santa Casa de São José dos Campos
Com 126 anos de história, a Santa Casa de São José dos Campos é um complexo hospitalar de referência na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, que alia inovação e tradição no cuidado à saúde. Primeira Santa Casa do Brasil a obter certificado ONA (Organização Nacional de Acreditação), a instituição possui certificação por distinção tripla pelo IQG (Instituto Qualisa de Gestão) nas áreas de Enfermagem e Serviços de Terapia Intensiva, além da recertificação ONA nível 3.
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