Oftalmologista da Santa Casa de São José dos Campos orienta sobre hábitos simples que ajudam a prevenir desconfortos e preservar a saúde dos olhos
Celulares, computadores e tablets fazem parte da rotina da maioria das pessoas, seja no trabalho, nos estudos ou nos momentos de lazer. No entanto, o aumento do tempo de exposição às telas tem contribuído para o crescimento das queixas relacionadas à saúde ocular, como ardência, ressecamento, visão embaçada e dores de cabeça.
A fadiga ocular digital, também conhecida como síndrome da visão computacional, é uma condição cada vez mais frequente. Isso acontece porque, diante das telas, a frequência do piscar diminui significativamente, reduzindo a lubrificação natural dos olhos e favorecendo o ressecamento da superfície ocular.
Além disso, pesquisas recentes mostram que o problema tem atingido também adultos jovens. Um estudo conduzido pela Aston University, no Reino Unido, e publicado em 2025 na revista científica The Ocular Surface, acompanhou 50 jovens entre 18 e 25 anos e identificou que 56% dos participantes apresentavam doença do olho seco, enquanto mais de 90% tinham pelo menos um sinal clínico relacionado à condição.
Os pesquisadores também observaram uma associação entre o uso prolongado de dispositivos digitais e alterações na superfície ocular, reforçando a importância de hábitos preventivos e do acompanhamento oftalmológico, especialmente entre pessoas que passam muitas horas em frente às telas.
Segundo o oftalmologista da Santa Casa de São José dos Campos, Dr. Vilberto de Souza, embora o desconforto seja comum, ele não deve ser encarado como algo normal. “O uso prolongado de celulares, computadores e tablets exige um esforço contínuo da visão, além de reduzir a frequência do piscar, o que favorece o ressecamento da superfície ocular. Os principais sintomas são ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento, visão embaçada, dificuldade para manter o foco e dores de cabeça. Muitas pessoas acreditam que esse desconforto faz parte da rotina, mas ele é um sinal de que os olhos precisam de atenção. Medidas simples, como fazer pausas durante o uso das telas, manter uma boa lubrificação ocular quando indicada e realizar consultas oftalmológicas periódicas, ajudam a prevenir complicações e preservar a saúde da visão“, diz.
Uma medida simples e eficaz para reduzir o esforço visual é adotar a regra 20-20-20: a cada 20 minutos em frente às telas, fazer uma pausa de 20 segundos olhando para um objeto localizado a aproximadamente seis metros de distância (20 pés). A prática ajuda a relaxar a musculatura ocular e reduz a sobrecarga causada pelo foco contínuo em curtas distâncias.
Além das pausas, especialistas recomendam manter a tela na altura adequada, ajustar o brilho do monitor para evitar contraste excessivo, utilizar iluminação adequada no ambiente, lembrar de piscar voluntariamente durante o uso dos equipamentos e manter boa hidratação.
“As consultas oftalmológicas periódicas são fundamentais em todas as fases da vida, mesmo na ausência de sintomas. Crianças precisam de acompanhamento para identificar precocemente alterações que podem comprometer o desenvolvimento da visão e o aprendizado. Já os idosos apresentam maior risco para doenças como catarata, glaucoma e degeneração macular. Pessoas com diabetes e hipertensão também devem redobrar a atenção, pois essas condições podem provocar lesões nos vasos sanguíneos da retina e comprometer a visão de forma silenciosa. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento e de preservação da qualidade de vida”, finaliza do Dr. Vilberto.
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