Especialista da Santa Casa de São José dos Campos reforça a importância da colonoscopia e da endoscopia para o diagnóstico precoce das doenças inflamatórias intestinais
Dor abdominal frequente, diarreia persistente, perda de peso, fadiga e presença de sangue nas fezes são alguns dos sintomas que podem indicar doenças inflamatórias intestinais (DIIs), grupo de enfermidades crônicas que inclui principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.
Durante o Maio Roxo, campanha de conscientização sobre o tema, o cirurgião geral e do aparelho digestivo da Santa Casa de São José dos Campos, Dr. Renato Poli Veneziani Sebbe, alerta para o aumento dos casos no Brasil e reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
O alerta acompanha o crescimento das internações relacionadas às DIIs no país. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, as internações por doenças inflamatórias intestinais aumentaram 61% em dez anos, passando de 14.782 registros em 2015 para 23.825 em 2024.
Apesar dos avanços no tratamento, muitos pacientes ainda enfrentam demora no diagnóstico, já que os sintomas podem ser confundidos com intolerâncias alimentares, gastrites, infecções intestinais ou síndrome do intestino irritável. Para o especialista, exames como colonoscopia e endoscopia são fundamentais para identificar precocemente alterações inflamatórias e iniciar o tratamento adequado.
“A colonoscopia e a endoscopia permitem avaliar diretamente o trato gastrointestinal, identificar áreas inflamadas, coletar biópsias e diferenciar doenças inflamatórias intestinais de outros problemas digestivos. Quanto mais precoce for esse diagnóstico, maiores são as chances de controle da doença e prevenção de complicações”, explica.
A colonoscopia é considerada um dos principais exames para investigação da Retocolite Ulcerativa e da Doença de Crohn, permitindo avaliar o intestino grosso e parte do intestino delgado. Já a endoscopia auxilia principalmente na análise do trato digestivo superior, que também pode ser afetado em alguns pacientes.
“As doenças inflamatórias intestinais podem surgir em qualquer idade, mas são mais frequentes entre jovens adultos, especialmente entre 20 e 40 anos. Além dos sintomas intestinais, os pacientes também podem apresentar dores articulares, alterações na pele, inflamações oculares e impacto emocional significativo”, destaca o médico.
Estudos recentes também apontam crescimento expressivo da prevalência dessas doenças no Brasil. A pesquisa Tendências Temporais de Incidência e Prevalência das Doenças Inflamatórias Intestinais no Brasil, baseada em dados do DATASUS, identificou aumento da prevalência das DIIs de 30 para 100 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2020. Especialistas associam esse crescimento a fatores como alimentação ultraprocessada, alterações na microbiota intestinal, predisposição genética e estresse.
Para o cirurgião geral e do aparelho digestivo, sintomas intestinais recorrentes não devem ser normalizados. “Quadros persistentes de diarreia, sangramento nas fezes, dores abdominais frequentes e perda de peso exigem investigação clínica, já que o atraso no diagnóstico pode aumentar o risco de inflamações graves, internações e necessidade de cirurgias ao longo da vida”, finaliza.
Crédito da foto: Magnific/Divulgação
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